BID aumentará empréstimos para energia renovável

Banco, que teve aumento de capital de US$70 bilhões, estima emprestar US$12 bilhões por ano no mundo até 2021
O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) teve aprovado por seus 46 países-membros um aumento de capital em 70%, fazendo com que o volume financeiro à disposição da instituição saltasse de US$100 bilhões para US$ 170 bilhões. Com esses recursos adicionais, o BID, que tem o Brasil como maior cliente, poderá aprovar uma média de US$ 12 bilhões em empréstimos por ano no período de 2012 a 2021. No período entre 2002 e 2011, a média das aprovações foi de US$8 bilhões por ano.
"A carteira de projetos do BID sempre foi concentrada em energia renovável - especialmente hidrelétrica, no caso da América Latina. Agora, com esse aumento de capital, eu digo que vamos aumentar os empréstimos em energia renovável e eficiência energética", diz Arnaldo Vieira Carvalho, especialista em energias renováveis do BID.
O aumento foi aprovado com a condição de que 25% dos recursos sejam obrigatoriamente direcionados a projetos que, de alguma forma, contribuam para a mitigação das mudanças climáticas. "Globalmente falando, o setor de energia representa 15% do total de empréstimos do BID, mas vamos chegar a 25%. Vamos criar condições para estimular essa área", afirma Carvalho.
Segundo ele, nos países da América Central, como Nicarágua, El Salvador e Guatemala, tem sido registrado aumento substancial na geração por meio da biomassa utilizando o bagaço da cana-de-açúcar. "Esses países já aumentaram em 10% sua geração anual com a biomassa. Nessa fonte, eles estão um pé na frente do Brasil", observa Carvalho.
Já a energia solar “conectada à rede”, na avaliação do especialista do BID, ainda é muito complicada do ponto de vista econômico, embora projeções da Agência Internacional de Energia apontem que nos próximos 20 anos a solar deve crescer muito mais que a eólica. "Hoje é difícil. Mas nós estamos apoiando alguns projetos de energia solar conectada à rede no Brasil para estimular", comenta.
Em contrapartida, Carvalho diz que não há para dificuldade para financiar projetos de “geração solar independente”, principalmente em lugares onde não há acesso à energia elétrica. "Em sistemas distribuídos é fácil de justificar o financiamento. Você se apoia no fato que vai levar desenvolvimento para aquela família".
No Brasil, o BID tem emprestado US$4 bilhões por ano, somando todos os setores econômicos do País. "Ainda é muito pouco. Temos que ter um diálogo com o Ministério do Planejamento para ampliar isso”, defende Carvalho. “No ano passado fizermos empréstimo para Furnas, para aperfeiçoar uma usina que estava perdendo eficiência. Agora, estamos discutindo empréstimo com a CEEE. Também temos outros projetos de doações com a Cemig e Secretaria de Energia do Estado de São Paulo", revela o dirigente. O BID também fornece em torno de US$700 milhões em doações por ano para incentivar desenvolvimentos de projetos que promovam desenvolvimento social e econômico. (Jornal da Energia, 16/02)