Abastecer carro elétrico custará R$ 10

Carro-eletrico.jpgAbastecer um carro elétrico custa hoje R$ 0,06 por quilômetro rodado na cidade de São Paulo. Isso significa que o consumidor gastará, na capital paulista, algo entre R$ 9 e R$ 12 para recarregar a bateria dos veículos, que possuem autonomia para rodar entre 160 a 200 quilômetros por carga.
O preço é bem mais baixo do que o desembolsado para encher o tanque de um carro a gasolina ou etanol, que custa cerca de R$ 0,30 por Km rodado. Em compensação, o veículo elétrico não sai hoje por menos de R$ 150 mil.
 
As estimativas são da EDP, a controladora das distribuidoras de energia Bandeirante e Escelsa, que inaugura hoje o projeto piloto de um posto de recarga rápida para carros elétricos em São Paulo.
 
O eletroposto fica dentro da Universidade de São Paulo (USP) e faz parte de um estudo encomendado pela EDP para a Fundação Instituto de Administração (FIA), que avaliará o impacto econômico do carro elétrico para os negócios da distribuidora de energia. O levantamento está sendo efeito em parceria com o Instituto de Eletrotécnica e Energia da USP (IEE) e a Sinapsis, que avaliarão aspectos técnicos e efeitos sobre a rede elétrica.
 
A recarga rápida, no caso dos eletropostos, representa cerca de meia hora, o tempo necessário para abastecer 80% de uma bateria. A tecnologia significa um grande avanço em relação à recarga lenta, que pode levar entre seis ou oito horas, afirma Miguel Setas, vice-presidente de distribuição da EDP no Brasil. A multinacional portuguesa já possui cerca de 100 pontos de recarga em seu país de origem.
 
Segundo Setas, ainda levará alguns anos para que o carro elétrico se transforme em um negócio de peso no Brasil. "Com certeza, o cenário vai mudar em 15 anos", afirma Paulo Feldman, professor da FIA que coordena o estudo feito com a EDP. As estimativas apontam que, em 2030, serão vendidos mais carros elétricos que a combustão no mundo.
 
Segundo Feldmann, não existem hoje mais do que 50 carros elétricos na cidade de São Paulo e a falta de uma massa crítica de veículos é um dos grandes desafios para a realização de pesquisas mais precisas sobre o impacto no mercado brasileiro. A FIA fechou uma parceria com a prefeitura de São Paulo para abastecer, no posto da USP, uma frota experimental de táxis elétricos, com veículos produzidos pela Nissan.
 
Os países onde os carros elétricos já estão mais consolidados, como a China e Israel, não abrem todos os números, diz Feldmann. O Brasil, acrescenta, terá de conduzir suas próprias pesquisas.
 
Um dos objetos de estudos da FIA será estimar o volume adicional de energia elétrica que o Brasil precisará gerar para atender à demanda dos veículos. A recarga de uma bateria de um carro elétrico requer 24 KWh, ou o equivalente ao consumo por sete horas de um chuveiro elétrico convencional, diz Feldmann.
 
Segundo Setas, também existem muitos aspectos regulatórios que precisam ser definidos, entre eles qual será o papel das distribuidoras, cujas concessões são delimitadas por áreas, nas quais elas detêm o monopólio no abastecimento de energia.
 
As regras atuais não preveem, por exemplo, o fornecimento de energia elétrica para uso móvel. Ironicamente, a EDP vai vender no posto da USP a energia da concorrente Eletropaulo, responsável pela distribuição em São Paulo.
 
Outras distribuidoras também já iniciaram projetos para o abastecimento de energia de carros elétricos. A CPFL instalou um eletroposto em 2010 em sua sede, em Campinas, e, neste ano, está se dedicando à montagem da primeira bateria de lítio no Brasil para uso em carro elétrico. (Valor Econômico, 28/09)
 
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